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Amazônia na Net

 

ALERTA CIENTÍFICO e AMBIENTAL
Ano 15 | nº 1 | 4 a 10 de janeiro de 2008
Veja nesta edição:

A 'eco-finanças' das ONGs
'Bomba verde': florestas tropicais não estão diminuindo
O 'império verde'
Os assentamentos do Incra e o cinismo do Greenpeace
Inglaterra também vai de nuclear
'Subprime' no mercado de créditos de carbono?

A 'eco-finanças' das ONGs
Rio, 10/jan/08 ­ Em um furo de reportagem, o jornalista Daniel Rittner, do
jornal Valor, antecipou algumas conclusões da mais recente 'lista negra'
mundial elaborada pela Banktrack ­ uma espécie de 'central de inteligência
financeira' comandada pelas ONGs WWF e Friends of the Earth (Amigos da Terra) - contra importantes projetos industriais e de infra-estrutura que
estão sendo implantados em países do 'Sul'. [1]
Segundo Rittner, 32 projetos e empresas estão na mira 'ecofinanceira' do
aparato ambientalista controlado pelo Establishment anglo-americano, dos
quais três no Brasil: o Complexo do Rio Madeira, fábricas de celulose da
Aracruz e a Pará Pastoril e Agrícola (Pagrisa). Essa última foi incluída
simplesmente porque 'não havia ainda casos de semi-escravidão (sic) na
lista e trata-se de um setor em evidência - o dos biocombustíveis'.
Fica explícito na matéria que o objetivo da ofensiva não é defender o meio
ambiente, mas impedir a implantação dos projetos:
A intenção das ONGs, ao divulgar os impactos negativos desses projetos e
das empresas responsáveis por eles é evitar - ou pelo menos atrasar - o
crédito a esses empreendimentos, bem como manchar a imagem das instituições
financeiras envolvidas.

A tática de 'guerra irregular moderna' ou de 'quarta geração' a ser
utilizada nessa ofensiva é descrita sem pejo por Gustavo Pimentel,
especialista em 'ecofinanças' da seção tupiniquim da ONG Amigos da Terra:
"No caso de obras não iniciadas, que estão em fase de projeto, fazemos uma
pressão que causa dificuldades em tornar a obra viável ou, no mínimo, algum
constrangimento aos seus empreendedores e financiadores... No caso das
obras que já foram iniciadas, continuamos vigilantes em cima dos financiadores. Mostramos os riscos financeiros e de reputação."
Chama a atenção que, além da Aracruz, outra empresa do ramo de celulose faz
parte da 'lista negra', a finlandesa Botnia, por causa de sua fábrica
recém-concluída no Uruguai e que foi alvo de uma intensa ­ mas derrotada -
campanha ambientalista para impedir o projeto.
Ocorre que a implantação do poderoso pólo florestal-industrial no Mercosul
está incomodando ­ e muito ­ seus concorrentes do 'Norte' que exploram
florestas de clima temperado e encontram grandes dificuldades para competir
com as 'vantagens comparativas' proporcionadas pelo eucalipto e outras
espécies tropicais. Não por acaso, grandes e tradicionais empresas
européias do ramo, como a citada Botnia, a Stora Enso e a Ence, implantaram ou estão implantando grandes projetos no âmbito do Mercosul. A espanhola
Ence, por exemplo, está iniciando a construção de outra grande 'papelera'
no Uruguai. O Rio Grande do Sul, onde se desenvolve uma grande parte desse pólo, tem sido particularmente visado pelo aparato ambientalista e pelas
'tropas de choque' auxiliares do MST e da Via Campesina. Os detalhes sobre essa campanha podem ser encontrados no documento ''A geopolítica 'verde' para o Mercosul', já publicado por este Alerta.
O que não faltam são evidências que a 'preocupação ambiental' das ONGs com o setor de celulose se restringem aos países 'tropicais' que produzem
celulose de fibra curta (eucalipto). Por exemplo, a Urgewald, uma ONG
satélite alemã que integra a Banktrack, mantém um portal dedicado para
essas campanhas dirigidas:

Países alvo da campanha ambientalista contra o setor de celulose
www.pulpmillwatch.org/index.php

Até mesmo o badalado FSC ­ selo criado pelas 'Três Irmãs' (WWF, Greenpeace
e Amigos da Terra) nitidamente concebido para 'certificar' florestas em
países do antigo Terceiro Mundo ­ anunciou que irá 'mudar as regras'
(provavelmente de forma retroativa) depois que o Wall Street Journal
revelou que a Ásia Pulp & Paper Co. (APP), uma das maiores empresas do
setor sediada na Singapura, é certificada pelo FSC mas foi acusada por ONGs
de devastar enormes áreas de florestas tropicais na ilha de Sumatra,
Indonésia, colocando em 'risco de extinção' várias espécies de
orangotangos, tigres e elefantes. Foi o suficiente para que Heiko Liedeker,
ex-WWF e diretor-executivo do FSC, cancelasse imediatamente a certificação da APP e anunciasse um 'aperto' nas regras, mas muitos críticos classificaram a medida como tardia para evitar o dano causado na
'credibilidade' do selo. O episódio serve para ilustrar o que muitos já
sabem, que o FSC é um selo baseado em critérios políticos - e não técnicos
­ e ostensivamente patrulhado pelas 'Três Irmãs'. [2]
O mais escandaloso é que a Banktrack, convenientemente sediada em Amsterdã,
na Holanda, é abertamente financiada pelo WWF, Amigos da Terra e as
onipresentes fundações 'filantrópicas' que atuam como agentes de influência
de interesses do Establishment anglo-americano:
Banktrack, financiadores
(fonte: Banktrack, Annual Repost, 2005)
Por conseguinte, todas as ONGs que integram a Banktrack têm  ‘estado-maior'
na Europa ou nos EUA:
Membros da Banktrack
(fonte: Banktrack Annual Report, 2005)

Quem com ferro fere...
Ao se analisar as advertências do 'ecofinancista' Pimentel, que beiram a
uma verdadeira chantagem, e cotejá-las com as origens das fontes de
recursos da Amigos da Terra e outras ONGs integrantes da Banktrack, não é difícil concluir que elas têm 'pés de barro'. Em outras palavras, a
'reputação' das ONGs perante a opinião pública é tão ou mais sensível que a das instituições financeiras ou empresas que ameaçam enxovalhar.
À medida em que a visível 'coincidência' entre financiamento de campanhas ambientalistas e interesses geopolíticos de doadores chegarem à opinião pública, conjugado ao necessário aperfeiçoamento da legislação brasileira
para regular a farra de 'ecodólares' que entram à vontade no País, mais os
processos de licenciamento ambiental de grandes projetos correrão sem
espúrias ingerências externas.
Ou seja, é a 'eco-finanças' das ONGs que precisa ser exposta.
Notas:
[1]Três projetos do Brasil integram "lista negra", Valor, 10/01/2008
[2]FSC, um selo neocolonialista, Alerta Científico e Ambiental, 01/11/2007

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'Bomba verde': florestas tropicais não estão diminuindo
Rio, 8/jan/08 ­ Contrariando o que propalam ambientalistas e muitas
autoridades, a quantidade global de florestas tropicais aumentou entre 1983
e 2000. Essa 'bomba verde' foi lançada pelo pesquisador Alan Grainger,
pesquisador sênior em Geografia da Universidade de Leeds, da Inglaterra, e
um dos mais respeitados expertos do mundo em desflorestamento tropical.
O novo estudo de Grainger [1] sugere que esse aumento pode ser resultado do reflorestamento espontâneo (regeneração), que estaria compensando as taxas
de desmatamento das florestas tropicais. "Apesar do desmatamento ocorrer em ritmo acelerado, o reflorestamento natural também está acontecendo
rapidamente, em taxas mais elevadas que anteriormente previsto", diz o
pesquisador. Em contrapartida, o estudo mostra também que não há evidências suficientes para comprovar que a área coberta por florestas tropicais esteja diminuindo.
Para realizar o estudo, Grainger analisou quadro décadas de estatísticas
produzidas pela agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação
sobre as áreas florestais (FAO) onde descobriu inúmeros erros e
incongruências nas estimativas globais. Para Gringer, essas alternâncias
são resultado do método usado pela agência, que produz as estimativas
somando as estatísticas nacionais de vários países.

Grainger ressalta que os erros nas estatísticas nacionais são mais comuns
em florestas que se encontram em áreas tropicais mais secas e, para obter
resultados mais precisos, ele analisou dados sobre a quantidade de
florestas tropicais nas regiões da Amazônia, de Bornéu e da bacia do Congo, nos trópicos úmidos. Depois da análise, o pesquisador observou que não há declínio na área coberta pelas florestas nestas regiões desde 1970.
"A cada todo ano, nós temos uma nova estimativa da taxa anual de
desmatamento tropical. Elas sempre indicam que essas florestas maravilhosas
têm apenas um curto período de vida. Infelizmente, todos assumem que o
desmatamento está ocorrendo e falham ao não olhar o quadro completo ­ o que está ocorrendo na floresta como um todo', disse Gringer. "Os erros e
inconsistências que encontrei nos dados [da FAO] levantam muitas questões para que sejam usados, de forma convincente, como base do quadro que mostra
um declínio das florestas tropicais nos últimos 40 anos. Os cientistas em
todo o mundo que usaram esses dados para fazer análises sobre extinção de
espécies e o papel das florestas na mudança climática global achariam de
grande utilidade revisar seus pareceres à luz do meu estudo", recomendou
Grainger.
Faz tempo se acumulam suspeitas que a regeneração florestal, principalmente
na Amazônia, tem sido solenemente subestimada ou ignorada, mas é a primeira vez que um pesquisador do quilate de Grainger matou a cobra e mostrou o pau.
Nota do Editor:
A imprensa brasileira publicou matérias alusivas ao estudo de Grainger mas
cometeu duas 'barrigas': grafou o nome do pesquisador como 'Gringer' e
omitiu a informação que o 'reflorestamento' mencionado por ele é o
'natural', ou seja, o que se conhece por aqui como 'regeneração' florestal.
O Dr. Grainger mantém uma página pessoal em
www.geog.leeds.ac.uk/people/a.grainger/

Página do Dr. Alan Grainger

Notas:
[1] "Difficulties in tracking the long-term global trend in tropical forest
area", Alan Grainger, apresentado no Proceedings of the National Academy of
Sciences of the USA, 07/01/2008
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O 'império verde'
Rio, 7/jan/08 ­ No apagar das luzes de 2007, a 'banda verde' do governo
federal conseguiu emplacar mais um decreto de criação e ampliação de
reservas ambientais no País: exatos 151.263 hectares assim distribuídos:

• Ampliação da Estação Ecológica de Cuniã (AM) - 19.407 hectares (Total =
72.628 hectares);
• Ampliação da Reserva Biológica de Una (BA) - 7.100 hectares (Total =
18.500 hectares);
• Criação do Refúgio de Vida Silvestre de Una (BA) - 23.400 hectares;
• Criação do Refúgio de Vida Silvestre Rio dos Frades (BA) 894 hectares;
• Criação da Reserva Extrativista de Cassurubá (BA) - 100.462 hectares

Acostumados a anúncios esterilizando milhões de hectares, alguns poderiam
concluir que essa nova 'garfada' foi até modesta. O problema não é a
quantidade propriamente dita, mas o processo.
Segundo a própria nota alusiva emitida pelo Ministério do Meio Ambiente, a essa área total devem ser somados os cerca de 20 milhões de hectares de
reservas ambientais criadas nos últimos quatro anos e meio, sendo 11
milhões deles de proteção integral. E dá a meta para a conquista territorial:
[Essas novas áreas] representam mais um passo em direção ao cumprimento das metas constante na Resolução Conabio nº 3. De acordo com estas metas, em
até 2010, o País deverá proteger 30% do bioma Amazônia, 10% de cada um de todos os outros biomas e ainda 10% do bioma que compreende as zonas costeira e marinha.
As áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade reivindicadas
pela Conabio (Comissão Nacional de Biodiversidade) somam nada menos que 3,4 milhões de QUILÔMETROS QUADRADOS, além dos atuais 2 milhões de km2 que já
estão devidamente 'protegidos'. [2]
Se essas metas forem cumpridas, ao final do governo Lula cerca de 64% do
território brasileiro estarão sob o controle do 'império verde' como
mostrado no mapa abaixo.
Áreas priritárias para a conservação da biodiversidade (Fonte: MMA)

Notas:
[1]Governo amplia e cria novas unidades de conservação, MMA, 21/12/2007
[2] Distritos Florestais, uma perigosa inversão de valores, Alerta
Científico e Ambiental, 19/01/2007
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Os assentamentos do Incra e o cinismo do Greenpeace
Rio, 5/jan/08 ­ Os problemáticos assentamentos do INCRA (Instituto Nacional
de Colonização e Reforma Agrária) na Amazônia ganhou novamente as páginas
dos principais jornais do País. Desta feita, o TCU (Tribunal de Contas da
União) determinou que o Incra regularize a situação desses assentamentos
sem licenciamento ambiental.
Ocorre que, dos 65 processos de assentamento no Amazonas, Pará e Acre, o órgão constatou que apenas um deles tinha licença ambiental e reserva
legal. Segundo o TCU, os 750 mil pequenos produtores rurais da Amazônia são responsáveis por 18% do desmatamento da floresta. [1]
Essa 'farra ambiental' nos assentamentos do INCRA já é velha há pelo menos uma década e contradiz diretamente os arroubos programáticos do camarada
Stédile, do MST, que vem tentando justificar seguidas invasões de
sem-terras a propriedades rurais por se caracterizarem, supostamente, pela
'falta de responsabilidade' com o meio ambiente.
Recentemente, até mesmo o Greenpeace meteu a colher no imbróglio. Em agosto
passado, os oportunistas 'guerreiros do arco-íris' divulgaram um estudo
acusando o governo brasileiro de distribuir terras da floresta amazônica
para assentados em reforma agrária que depois vendem direitos de exploração
da área para grandes madeireiras. A acusação foi prontamente publicada pela
imprensa britânica ­ conhecido conduto propagandístico do aparato
ambientalista anglo-americano -, afirmando que, em 2006, o Incra criou 97
"assentamentos de desenvolvimento sustentável (PDS) em Santarém (PA) , no
oeste do Estado do Pará, em áreas florestais de grande valor para
madeireiras. Esses assentamentos cobrem 2,2 milhões de hectares e foram
designados para 33.700 famílias." [2]

Capa do 'estudo' do Greenpeace

O cinismo do Greenpeace e caterva aparece em todo o seu esplendor no
comentário, na mesma matéria, que 'o esquema PDS se tornou erroneamente
sinônimo de boa prática ambiental por conta do apoio da freira americana
Dorothy Stang, assassinada em 2005 por conta de sua defesa de dois dos
assentamentos da região'. Como se sabe, o assassinato da freira foi o
'leitmotiv' do governo Lula para baixar o 'pacote Dorothy', esterilizando
milhões de hectares ao longo da BR-163 como reservas ambientais, exatamente
o que o Greenpeace e caterva vinham exigindo.
Notas:
[1]TCU pede regularização de assentamentos, Folha de São Paulo, 05/01/2008
[2]Assentamentos na Amazônia beneficiam madeireiras, diz 'Independent',
BBC, 21/08/2007

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Inglaterra também vai de nuclear
Rio, 10/jan/08 ­ John Hutton, ministro do Comércio britânico, anunciou hoje
que o governo do Reino Unido aprovou os planos de construir uma nova
geração de reatores nucleares no País. A decisão, disse Hutton, foi tomada
ante a perspectiva que um terço da atual capacidade energética do País
estará obsoleta nos próximos 20 anos e da crescente necessidade de importar
energia.[1]
'Ao dar a luz verde para que novas usinas nucleares possam ter um papel
importante no fornecimento de energia limpa, segura e confiável é do
interesse vital de longo prazo do nosso País', disse o ministro.
A Areva, maior construtora de usinas nucleares do mundo, saudou com
entusiasmo a decisão britânica: 'É nossa pretensão construir pelo menos
quatro, e possivelmente seis, das novas centrais nucleares britânicas',
disse Anne Lauvergeon, diretora-executiva da Areva.
De fato, como este Alerta tem reportado, a decisão do governo do Reino
Unido se harmoniza com a de muitos outros países, inclusive do Brasil, de
que é imprescindível uma crescente participação da fonte nuclear na geração
elétrica. Atualmente, existem 201 centrais nucleares (442 reatores) gerando
eletricidade em 31 países, das quais 104 nos EUA, 58 na França e 55 no Japão.
Segundo Lauvergeon, entre 100 e 300 novos reatores nucleares deverão ser
construídos no mundo até 2030. Entre eles, certamente se encontra o de
Angra 3.
Mediante esse quadro, seria mais rentável ao Greenpeace e outras ONGs que
redirecionassem seus polpudos recursos 'anti-atômicos' para estudar em
profundidade a vida e os hábitos selvagens dos ursos polares.
Notas:
[1]Green light for new nuclear plants, AP, 10/01/2008

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'Subprime' no mercado de créditos de carbono?
Rio, 9/jan/08 ­ A agenda do 'aquecimentismo' global está fazendo água (e
não com o derretimento das geleiras), depois que fracassou em Bali a
tentativa de se estabelecer um compromisso mundial com metas de redução dos
usos dos combustíveis fósseis, na 13ª. Conferência das Partes sobre
Mudanças Climáticas das Nações Unidas. Ao mesmo tempo, um número crescente
de evidências científicas que enfatizam as causas naturais do fenômeno
começa a receber uma atenção maior da mídia, juntamente com cientistas e
autoridades que sempre questionaram os cenários catastrofistas.

Por exemplo, no início de 2007, os alarmistas prediziam que as temperaturas
bateriam todos os recordes de alta durante o ano. Ocorre que, como ficou
constatado com precisas medições feitas por instrumentos de satélites e
balões-sonda, desde 1998 as temperaturas globais deixaram de subir e 2007
foi simplesmente o ano mais frio do século até agora. "O aquecimento global
parou. Não se trata de um ponto de vista ou uma imprecisão de cético. É um
fato observável", admitiu o ex-editor científico da BBC David Whitehouse,
em um artigo publicado em 19 de dezembro, na revista The New Statesman.

Igualmente sintomático dos "novos tempos" é o seguinte trecho de um artigo
do Boston Globe de 6 de janeiro:
A ciência climática não é uma religião e aqueles que contestam a sua teoria
prevalecente não são heréticos. Ainda há muito o que aprender sobre como e
por que o clima se altera e não há nem virtude, nem sabedoria, em uma
corrida emocional para se combater o aquecimento global - especialmente, se
o que está a caminho é um Grande Resfriamento global.

Enquanto isso, aumentam os questionamentos sobre os esquemas de créditos de carbono, as meninas dos olhos dos interessados na exploração comercial do
catastrofismo climático. Nos EUA, a Comissão Comercial Federal (FTC),
responsável pela regulamentação da propaganda comercial, decidiu promover
uma série de audiências para avaliar a veracidade das propostas de
compensações de carbono alardeadas por muitas empresas, das quais a cada
dia surgem novas denúncias de fraude.
A propósito, no Brasil, é opinião do chefe de Política e Desenvolvimento
Agropecuário do Ministério da Agricultura, André Vieira Ramos de Assis, que
não existe produção suficiente de sementes ou de mudas para abastecer nem
metade de um dos projetos anunciados por empresas brasileiras em sua busca
pela acumulação de créditos de carbono: "As empresas têm alardeado o
replantio de milhões de sementes e mudas para obter créditos de carbono, no
entanto, nem os maiores produtores do Brasil dispõem de tanto material para
ser disponibilizado", disse ele à Folha de São Paulo (07/01/2008).

Na Europa, o celebrado esquema de cotas de emissões estabelecido pela União
Européia, apontado como o mais bem-sucedido exemplo de solução comercial
para o problema do aquecimento global, está sendo acusado de prática
desleal pela Keidanren, a poderosa federação que representa as indústrias
japonesas. De acordo com a denúncia, admitida pela Comissão Européia, as
cotas de emissões estabelecidas em 2005 para cerca de 11 mil indústrias de
todo o bloco foram muito maiores do que as provocadas pelo consumo de
combustíveis das empresas, com o intuito deliberado de fomentar o comércio
das cotas (Yomiuri Shimbun, 8/01/2008).

Ou seja, a questão nada tem a ver com problemas climáticos, mas de
interesses econômicos e financeiros. Não deve demorar muito para que seja
criado um bem nutrido mercado de 'subprime' lastreado em voláteis 'créditos
de carbono'.