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Rios fora do leito, pontes cobertas e floresta encharcada. Assim está a Bacia Hidrográfica do Riozinho do Rola, desde o mês passado.Para transpor os obstáculos, extrativistas, pequenos agricultores e criadores de animais improvisam novos caminhos, derrubando a taboca com facões.
Para transpor esse obstáculo, arranham o corpo na taboca, levam picadas de cabas (marimbondos), espantam aranhas e outros insetos.
A rotina do escoamento de produtos e animais do interior das comunidades ao longo dos rios acreanos vem se repetindo desde o mês passado, quando o nível dos rios subiu. Na tarde de quinta-feira, por exemplo, as águas começavam a cobrir a ponte de madeira com 17m de altura, em Barro Alto. Significa que o volume d’água ultrapassou três metros e meio o nível normal, conforme dados da Defesa Civil. Outras duas pontes foram atingidas por troncos de árvores e estão submersas.
Durante seis dias, desde sexta-feira da semana passada, o coordenador da Bancada Acreana, deputado Fernando Melo (PT-AC) conheceu as dificuldades dessa gente durante o inverno amazônico, que está mais rigoroso este ano, pelo menos no município de Rio Branco.
– Confesso que não avaliava corretamente a situação dos pequenos produtores. Vi e acreditei: eles sofrem além da conta – afirmou. Ele viu de perto o tombamento natural de uma árvore sobre as águas do Rio Espalha.
– Não sei que madeira é essa, mas se fosse uma castanheira, na velocidade que ela veio, a lancha se partiria bem no meio e a gente afundaria, com certeza.
Acompanhado do presidente do Sindicato dos Extrativistas e Trabalhadores Assemelhados de Rio Branco (Sinpasa), Raimundo Souza da Silva, Raimundinho, o deputado visitou comunidades para expor sua proposta de recuperar a navegabilidade dos rios em trechos críticos. Reunidas, as associações de produtores aprovaram a medida. A desobstrução de rios será também submetida ao Instituto do Meio Ambiente do Estado do Acre.
– Já debati o assunto com o secretário de Produção do Município, Mário Jorge Fadel – informou Melo. Líderes das colônias queixaram-se do impacto causado pelo “desaparecimento” dos ramais, em conseqüência da cheia e reivindicaram trabalho nas futuras frentes de serviço na recuperação da estrada natural que são os rios. O Ministério da Pesca já aprovou emenda individual do deputalo, autorizando recursos de R$ 1,9 milhão para essa finalidade.
MONTEZUMA CRUZ, direto da Floresta do rio Espalha e Barro Alto - Acre
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