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Município

                                              

  O MUNICÍPIO DE TARAUACÁ ONTEM


                                      
               Histórico – Habitavam as terras do município as tribos Kaxinawás e Jaminawás, que se localizavam as margens do rio Tarauacá (que significa na linguagem indígena, rio de muitos troncos) e Muru.

               A partir de 1877, intensificou-se a exploração das terras marginais dos rios Tarauacá, com a emigração de nordestinos. Em 1899, um grupo de imigrantes chega à confluência do rio Muru com o Tarauacá, fundando aí, o seringal “Foz do Muru”, que em breve cresceu de importância, uma vez que era aí o ponto de partida para as explorações dos altos rios.

               O marco inicial, porém, da verdadeira história do desbravamento desta região, a se ter notícia positiva, data dos anos de 1890, quando intrépidos nordestinos, entre os quais: José, João e Antônio Marques de Albuquerque, Antônio Patrionildo de Albuquerque, Joaquim Gonçalves de Freitas, Manoel Pereira Cidade, Sabino Francisco do Rego, Severino de Freitas Ramos, Francisco Queiroz de Oliveira, João Lopes Ibipirana, Joaquim, Antônio e Alexandre Teixeira de Souza, Antônio Ferreira Lima, Manoel Paixão de Albuquerque, Ernesto Nunes Serra, Francisco Caetano de Oliveira, que penetraram no rio Muru e Tarauacá, na exploração de demarcação de longas faixas de terras, formaram os seringais.   Em, 1899, fundaram um porto na confluência dos rios citados, denominando-o “foz do Muru”, ponto de partida para novas explorações.

               Com a celebração do Tratado de Petrópolis, em 1903, as terras do município passam a integrar o território nacional. Em 1904, com a primeira divisão territorial-administrativa dada ao Acre, Tarauacá passa a figurar no Departamento do Alto Juruá.

             A 1º de janeiro de 1907, “foz do Muru” é elevada à categoria de VILA, com o nome de “Seabra”, em homenagem ao então ministro da Justiça, Dr. J. J. Seabra.

              Em 1912, foi desmembrado do Departamento do Alto Juruá, passando a constituir o Departamento do Tarauacá, criado que fora pelo decreto 9.831, e instalado a 19 de abril de 1913, sendo o seu primeiro Prefeito o Coronel Antônio Nunes de Alencar. Ainda pelo Decreto citado foi criado o município do mesmo nome, que foi instalado a 24 de abril de 1913, data em que a vila Seabra foi elevada à categoria de cidade.

              Em 19 de abril de 1913, foi instalada a Comarca de Tarauacá, sendo o seu primeiro Juiz o Dr. Djalma de Mendonça.

              Em 29 de janeiro de 1914 circula o primeiro número do jornal “ O ESTADO” , Órgão oficial da Prefeitura.

    A 11 de junho de 1916, chega a Tarauacá o Capitão do Exército Eugênio Augusto Ferral, comandante da Companhia Regional, Primeira força policial criada no Departamento.

              A 1º de outubro de 1920, em face da nova organização territorial-adiministrativa, dada ao Acre, é extinto o Departamento, continuando em vigor o Município de Tarauacá.

              Em 1943, em virtude do Decreto-lei federal, nº 6.163, a cidade de Seabra mudou a sua designação para Tarauacá.

              Não se tem notícia de fatos dignos de especial menção no período anterior à  modificação acima citada.
             

                                 TRANSPORTE FLUVIAL

              O historiador Leandro Tocantins diz sabiamente que na Amazônia “o rio comanda a vida”. No Acre, os inúmeros igarapés e rios, historicamente, constituíram vias de penetração, comunicação, fonte alimentar e divertimento.

              No início do desbravamento, ainda não existia o avião que só veio aparecer em 1906, com a criação do 14 Bis por Alberto Santos Dumont, o que garantia o abastecimento das empreitadas dos nordestinos eram as chatas.  Para Tarauacá vinha muito as de nomes “SOROCABA” e  “CAMPINAS”  os navios, gaiolas, batelões, canoas e etc. Ainda hoje no período das chuvas Os  abastecimento do município é feito por balsas de até 600t.
              Naquela época os seringais mais distantes eram abastecidos e escoados a produção pelos próprios barcos do seringalista, bem como também os chamados regatões que mantinham contato com os seringueiros às vezes suavizando um pouco a escravidão que esse tinha com o patrão, vale lembrar aqui que esses regatões eram utilizados mais frequentemente, por Sírio-Libaneses e Turcos, temos como exemplo em Rio Branco os Faraht e aqui mesmo no município o Sr. Baget Eleamem, esse surpreendendo as pessoas da região com a facilidade que aprendeu a falar o português e a jogar tarrafa.

              Mas pode-se imaginar o tamanho das dificuldades encontradas pelos imigrantes. Era preciso percorrer rios desconhecidos, conviver com hábitos alimentares diferentes, enfrentar doenças que não tinham como ser tratadas em regiões tão distantes como Vila Seabra da época. Muitos morreram ou nunca se adaptaram totalmente à região, como o memorável Humberto Turco, que nunca aprendeu a falar direito o português.
             

    De seringal em seringal, colocação em colocação, os árabes foram se espalhando, crescendo, construindo família e patrimônio. Muitos ainda hoje acreditam que o desenvolvimento de Tarauacá só foi possível devido á força do comércio essencialmente árabe.

               O Sr.Chico Sérgio revela seu orgulho ao contar que “Quando cheguei a Tarauacá não tinha nada. Dormia na casa do sogro numa rede e a mulher em outra, em cima. Tudo que tenho construí aqui. Minha esposa é daqui, meus filhos nasceram aqui e tudo que tenho está aqui”. Atualmente ele é uma das pessoas mais bem sucedidas de Tarauacá e tem distribuidora de bebidas, gás e combustível, além do tradicional comércio de gêneros alimentícios, eletrodomésticos e tecidos, bem ao estilo sírio-libanês.

              Isso pode ser comprovado também pelos jornais locais que entre as décadas de 10 e 40, eram dominados pelos anúncios comerciais de árabes. Eram comuns os nomes de Muni Bissat, Raimundo e Humberto Turco, Antonio Asfury, Abdon, Eleamen,Tomáz, Mósle,Sólon,Calil Alaidim, Kalile Bucheck,Badir Fecury, Salomão, Munib, Amim,Magib Mamud Alabi, Salum saadi, Mamud José Alele, Tufici said e Said Bachir,Este ultimo proprietário da “ A SAMARITANA”, grande comércio onde se vendia de tudo e que muitos ainda lembram, era abastecido por grandes navios que vinham à cidade quando os rios estavam cheios e voltavam carregados de borracha.

              Um dos fatores que facilitara esse sucesso foi o apoio que os representantes da colônia árabe davam uns aos outros. Segundo seus descendentes, era como se fosse uma família. Quando um sírio-libanês chegava na cidade, os que já estavam arranjados cuidavam logo para que aquele abrisse um negócio e davam a mercadoria para que pagasse depois.
             Foi o caso de Constantino Mósle, contou que veio para Tarauacá em 1905, oriundo do Líbano, através de um tio que já morava aqui, Mansoud Mósle, comerciante e seringalista. Assim que chegou Constantino foi trabalhar com o tio no comercio e algum tempo depois comprou o seringal Mato Grosso. 

              Jamil conta também que o pai fazia comida árabe muito bem e era seu costume convidar os amigos  para almoçar em sua casa, quando só ele cozinhava. O mesmo Constantino foi lembrado ainda por Rames Eleamen, seu enteado, por ter sido o dono da “Maior e mais bonita horta de Tarauacá”, onde trabalhou até 80 anos de idade.

              “ Os sírio-libaneses foram a sustentação do comércio, pois faziam fortuna, e ficavam aqui mesmo, não forma embora. Eram pessoas sérias e

responsáveis”. Desabafa o Sr. Jonas Bady Fecury, revelando assim o ressentimento e mágoa daqueles “filhos da terra” que enriqueceram e foram embora.

                O certo é que, apesar da colônia sírio-libanesa ter sido muito forte em Tarauacá e de serem muito unidos, ao longo dos anos muitos foram morrendo e ficando esquecidos. Hoje restaram poucas famílias e poucos nomes na memória dos mais velhos. As gerações mais novas de Tarauacá pouco ou nada sabem daqueles que foram os responsáveis pelo desenvolvimento econômico da região e ajudaram a construir a história do município.

              Esses navios citados a cima, em sua maioria eram de procedência da (SNAPP) Serviço de Navegação e Administração do Porto do Pará Eram navios a vapor, e dizem que em más condições; vale frisar aqui que os seringais dispunham de lotes de lenha para abastecer as embarcações. Mas tivemos os de propriedades particulares, como exemplo o Bandeira do Sr. Leal.                                  

 

                              TRANSPORTE TERRESTRE

 

              Dotar o Acre de um sistema viário sempre foi um sonho acalentado pelos administradores públicos preocupados com o desenvolvimento social e econômico da região. A exemplo disso tem-se a idealização da Transacreana por Euclides da Cunha, ainda no início do século XX.. Para este, era fundamentas ser construída uma estrada de ferro lingando o vale do Juruá ao do Acre. A este respeito assinalou que: “.... ralizar-se-á em dois dias a viagem de Cruzeiro do sul ao Acre, que hoje, nas  quadra mais propícias, dura  mais de um mês....”(Cunha apud Calixto, 1985,p170). Mais adiante acrescentou que “... a linha férrea de Cruzeiro ao vale do Acre balancear-lhe-é o valor. Além disso, o que se deve ver naquela via é, sobretudo, uma grande estrada internacional de aliança civilizadora e de paz” (Cunha apud Calixto, 1985, p 170). Este projeto não foi executado, pelo menos conforme as idéias de Euclides da Cunha. Só na Década de 1960, coma a criação do Departamento de Estradas e Rodagens – DERACRE (1963), reestruturado em 1968 e 1977, é que o sistema viário teve alguns avanços, sendo criadas as primeiras rodovias partindo de Rio Branco, que na época não ofereciam tráfego seguro.

         

      A rodovia Federal BR-364 corta também o Estado do Acre no sentido oeste, passando pelos municípios de Sena Madureira, Manoel Urbano (até a via que dá acesso a cidade), Feijó, Tarauacá e Cruzeiro do Sul.

 

                              O TRANSPORTE AÉREO

 

              O Capitão João Donato de Oliveira Filho foi o 1º piloto acreano, o ás dos ares do extremo-oeste, coube-lhe a primazia de integrar o Acre, sempre partindo de Rio Branco, pilotando o avião batizado de “Getúlio Vargas”, (no livro, cujo qual retirei essa matéria diz que esse avião foi comprado pelo Governador Epaminondas Martins, mas acredito eu, que ele foi doado pelo governo federal, pela campanha “de asas a aviação” encabeçada pelo mega-empresário, dono dos diários associados, Assis Chateubriand, fato este, que pode ser constatado no livro CHATÔ O REI DO BRASIL – de Fernando Morais). Posteriormente um segundo avião, o “JAVARI” , foi doado pelo exército , um WACCO C.S.O.  
             Em 29/03/1939, o capitão João Donato inaugurou o primeiro vôo da aviação local, partindo de Rio Branco para Xapuri, no percurso de 50 minutos, responsável, como orou o governador Epaminondas Martins, “pelo destino do governo do Território e da aviação acreana”. Esse avião abaixo

que provavelmente é o Wacco CJC cabine), foi o 1º avião a pousar em Seabra em 13/04/1940, Mas no livro efemérides, escritas se não me engano pelo Sr. Jorge Kalume em 24/04/1993, o mesmo conta que o “GETÚLIO VARGAS” (sendo o “Getúlio Vargas um FAIRCHILD?  CONTINUO NA DÚVIDA), pilotado pelo 1º Ten. Sérvulo de Paula Machado, trazendo como passageiro, o Dr. Cláudio Rezende do Rego Monteiro, Juiz substituto de Feijó. Levando para Cruzeiro do Sul, o Seringalista, Antônio Alves de Andrade). Depois com o passar dos tempos às pistas no Acre foram melhorando, podendo-se pousar aviões maiores como é o caso deste abaixo,  pousado em Tarauacá, um avião do governo batizado pelo Senador Guiomar Santos como Barão de Mauá, este sim já identificado como um AVRO ANSON (Inglês).

              Tivemos outros tipos de aeronaves como é o caso dos Catalinas  do CAM(Correio Aéreo Militar que depois passou a ser chamado de CAN Correio Aéreo Nacional), que amerrisavam nos rios, floresta amazônica a dentro, mas isso é um assunto à parte e merece ser contada especificadamente. Essa foto abaixo  mostra o avião batizado de Tarauacá, esse era um dos, dois Beech Bonanza cauda em “V” que na gestão de Guiomar Santos (1946-1950) foram comprados para a SAGA (Serviço Aéreo do Governo do Território do Acre), também passaram pela Saga os bimotores DC-3 (versão civil do C-47), o mesmo tipo que a Cruzeiro do Sul usava. O de prefixo PP-ETE,  efetuou a primeira ligação do Rio de Janeiro ao Acre em um só dia!
              Posteriormente vieram os táxis aéreos pequenos como, por exemplo, a PUA, a TAVAJ (TAXI AÉREO VALE DO JURUÁ), REGIONAL, etc. Algumas conseguiram transformar-se depois em empresa de médio porte.

Fontes:  Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, publicado pelo IBGE, entre os anos de 1957 e 1960.

Casa Farhat 90 anos

Efemérides de Tarauacá - Senador Jorge Kalume

ÁLBUM CIDADE DE RIO BRANCO - A MARCA DE UM     TEMPO: HISTÓRIA, POVO E CULTURA.